FENEP lança guia com orientações para fortalecer a saúde mental nas escolas particulares
Material reúne dados sobre o bem-estar dos profissionais da educação e apresenta estratégias para promoção de ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis
A Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP) lançou o Guia de Saúde Mental nas Escolas Particulares, publicação voltada a gestores, mantenedores e profissionais da educação que reúne reflexões, dados e recomendações práticas para enfrentar um dos principais desafios contemporâneos das instituições de ensino: o cuidado com a saúde mental de suas equipes.
Elaborado pelos professores Amábile Pácios e Lucas Machado, o material tem como base a pesquisa nacional realizada pela FENEP em parceria com o Instituto SEMESP, a Humus Consultoria e a Happy Academy. O estudo identificou que 36,58% dos profissionais da educação apresentam algum nível de sofrimento psicológico, evidenciando a necessidade de ações estruturadas de prevenção e cuidado dentro das escolas.
Segundo o guia, embora aproximadamente 60% dos profissionais se declarem altamente engajados no trabalho, esse comprometimento nem sempre é acompanhado por condições adequadas de suporte emocional e organizacional. O resultado é um cenário em que dedicação e desgaste coexistem, exigindo novas abordagens de gestão e liderança.
Saúde mental como estratégia de gestão
O documento defende que a saúde mental deve ser compreendida como parte da estratégia institucional das escolas e não apenas como uma responsabilidade individual dos colaboradores. Entre os fatores apontados como mais críticos estão a sobrecarga de trabalho, a redução da vitalidade dos profissionais, a insegurança psicológica e a dificuldade de expressar dúvidas ou dificuldades no ambiente escolar.
Para enfrentar esse cenário, o guia recomenda a realização de diagnósticos periódicos de bem-estar, a revisão de processos de trabalho, a redução de atividades excessivamente burocráticas e o fortalecimento de práticas de escuta e acolhimento. Também destaca o papel da inteligência artificial na automatização de tarefas administrativas, permitindo que educadores concentrem mais tempo e energia nas atividades pedagógicas.
O papel de mantenedores e gestores
A publicação dedica um capítulo específico às responsabilidades de mantenedores e gestores escolares. Para os mantenedores, a recomendação é incorporar a saúde mental ao planejamento estratégico da instituição, investir em programas de apoio, formação de lideranças e adequação às exigências relacionadas aos riscos psicossociais previstos na atualização da NR-1.
Já os gestores são orientados a desenvolver competências relacionadas à escuta empática, comunicação transparente, identificação de sinais de sofrimento emocional e promoção de ambientes psicologicamente seguros para professores e colaboradores.
Construindo ambientes mais saudáveis
Entre as iniciativas sugeridas estão a criação de espaços de descompressão, programas de apoio psicológico, formação de lideranças emocionais e políticas institucionais voltadas à prevenção do assédio e à promoção do bem-estar. O guia reforça que ações isoladas não são suficientes e que a construção de ambientes saudáveis depende de uma abordagem contínua, integrada e baseada em evidências.
Para a FENEP, investir na saúde mental dos profissionais da educação é uma medida que beneficia não apenas as equipes, mas também a qualidade do ensino, a sustentabilidade das instituições e a capacidade das escolas de enfrentar os desafios atuais e futuros da educação brasileira.



