Notas de Redação do Enem registram queda de 6% na média, aponta análise

Imprensa • 20 de julho de 2026

Estudo também apontou o melhor desempenho em Linguagens e Códigos desde 2018 para escolas públicas e privadas

As notas de Redação do Enem de 2025 registraram uma queda de 6% na média nacional, segundo análise realizada pela Arco Educação com base nos microdados do exame divulgados pelo Inep. A redução aconteceu tanto nas escolas públicas (-6,8%), quanto privadas (-4,33%). Entretanto, especialistas apontam que a queda no desempenho não se dá por problemas no ensino, mas por uma correção de rota na avaliação.


“O cenário da educação estava acostumado a um modelo imposto há anos, em que fórmulas prontas e ‘repertórios de bolso’ inflavam as notas mais altas. O que vimos no Enem 2025 foi um movimento natural do Inep para resgatar o rigor técnico do exame. O veto a esses textos que se encaixavam em qualquer tema provavelmente foi o grande responsável pela queda nas notas acima de 900. Isso não significa que os estudantes passaram a escrever pior de um ano para o outro. Quando a redução aparece tanto na escola pública quanto na privada, o resultado sugere uma mudança mais ampla na forma de valorização dos textos, com menor tolerância a modelos padronizados e maior peso para autoria, pertinência do repertório sociocultural e qualidade da argumentação”, explica Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações Educacionais da Arco Educação.


O movimento interrompe a tendência de melhora observada desde 2022 e contrasta com indicadores positivos de participação e evolução em outras áreas. “Hoje, mais do que nunca, praticar a leitura e a escrita, e desenvolver a autoria em textos argumentativos são passos fundamentais para o bom desempenho na Redação do Enem”, afirma o diretor.


A análise dos microdados mostra ainda que a queda foi observada em todas as competências avaliadas na redação, especialmente na Competência 2, responsável por medir a compreensão do tema, o uso do repertório sociocultural e o domínio do texto dissertativo-argumentativo. Para Celedônio, esse movimento sugere uma correção mais exigente em relação à coerência do texto, à articulação dos argumentos e à pertinência das referências utilizadas pelos candidatos.


Em 2025, o Enem atingiu a maior representatividade de escolas públicas de sua história, com 16.698 instituições e um salto de 7,7% no volume de alunos. A rede privada também expandiu a participação de estudantes em 2,7%, praticamente retomando o patamar pré-pandemia de 2018.


Outro dado que chamou atenção foi a redução do número de estudantes nas faixas mais altas de desempenho. Além da queda da média nacional, houve um afunilamento no topo da distribuição das notas, com menos candidatos alcançando pontuações acima de 900 e menos escolas registrando médias superiores a 700 pontos em Redação.


A análise ainda aponta para um cenário de amadurecimento e superação pedagógica. A área de Linguagens e Códigos (LC) consolidou sua trajetória de recuperação pós-pandemia, com a rede privada atingindo o topo de sua série histórica (alta de 2,32%) e as escolas públicas alcançaram o melhor desempenho desde 2018 (alta de 1,38%). O avanço em Ciências da Natureza também se destacou, com a rede pública subindo para 475 pontos (alta de 1,5%) e revertendo a queda anterior.


O papel da intervenção curricular

A área de Matemática na rede pública, cuja média reduziu para 485 pontos (queda de 1,42%), ampliou a distância para a rede privada (605 pontos) para 120 pontos. Esse distanciamento reforça a urgência de as instituições utilizarem diagnósticos precisos para reestruturar conteúdos de forma direcionada.


Na avaliação do especialista, o resultado em Matemática reflete não apenas o grau de dificuldade da prova, mas também desafios estruturais da educação básica brasileira. “Muitos estudantes chegam ao ensino médio com lacunas acumuladas em conteúdos fundamentais, como proporcionalidade, álgebra, geometria, estatística e interpretação de gráficos. Como a Matemática depende de encadeamento de conhecimentos, fragilidades na base acabam comprometendo a capacidade de resolver problemas mais complexos”, afirma Celedônio.


“Conseguir fazer um diagnóstico dos dados e entender onde estão as maiores dificuldades permite que as escolas possam direcionar os seus esforços para desenvolver uma estrutura curricular e uma cultura de estudo que foque na evolução do aluno,” comenta Celedônio. O professor ainda completa que os rankings tradicionais funcionam como um termômetro importante, mas ele sozinho não resolve problemas. “Para gerar ações concretas de melhoria, as escolas precisam adotar uma cultura de dados ativa. É a análise detalhada dos microdados e a inteligência pedagógica que pode transformar dados brutos em caminhos claros de evolução para professores e gestores.”


Link da matéria: http://niddedigital.com/notas-de-redacao-do-enem-registram-queda-de-6-na-media-aponta-analise/

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